sábado, 2 de maio de 2020

Lição 5 - Libertos do pecado para uma nova vida em Cristo

Lição 5 - Libertos do pecado para uma nova vida em Cristo

TEXTO ÁUREO 
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo […]  (Ef 2.4,5).

VERDADE PRÁTICA
Por meio da maravilhosa graça divina fomos libertos do pecado, perdoados e salvos da condenação e, ainda, recebemos o direito à vida eterna.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 
Efésios 2.1-10. 
1 — E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,
2 — em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência;
3 — entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.
4 — Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
5 — estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
6 — e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
7 — para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.
8 — Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.
9 — Não vem das obras, para que ninguém se glorie.
10 — Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

OBJETIVO GERAL
Revelar que a graça salvadora de Cristo nos garante a vida eterna.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
I. Refletir sobre nossa natureza pecaminosa;
II. Explicar que fomos vivificados pela graça de Deus;
III. Informar que nossa salvação vem de Deus e não das obras.

INTRODUÇÃO 
A presente seção da Epístola aos Efésios apresenta relevantes aspectos doutrinários da salvação (2.1-10). Nela, o apóstolo descreve a libertação dos pecados como um favor imerecido dado por Deus aos salvos, a fim de que eles desfrutassem de uma nova vida em Cristo.

I. A ANTIGA NATUREZA MORTA EM OFENSAS E PECADOS
No início da Epístola, o apóstolo Paulo lembra que antes da regeneração estávamos mortos em ofensas, pecados e éramos por natureza “filhos da ira” (2.1-3).

1. Nossa condição anterior. 
“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” diz o primeiro versículo. A palavra “ofensa”, do grego paraptoma , tem o sentido de “passo em falso de forma deliberada”. O termo para pecado é hamartia , o qual descreve como “aquele que erra o alvo”. Em vista disso, o homem em sua natureza decaída é diagnosticado como “morto” (2.1), ou seja, uma declaração da real condição das pessoas sem Deus. O conceito é de morte moral e espiritual provocada pelo pecado, que inevitavelmente separa o homem de Deus (Is 59.2; Tg 1.15). Tal qual um corpo inerte, a natureza pecaminosa impede o homem de ouvir e obedecer à voz de Deus. Quem assim vive está morto enquanto “vive” (1Tm 5.6).

2. Nossas ofensas e pecados. 
A má conduta “em que, noutro tempo, andastes” é descrita por Paulo por meio da metáfora do ato de “andar” (2.2a). Refere-se às atitudes erradas adotadas na vida passada do salvo antes da regeneração:
2.1. “Andastes, segundo o curso deste mundo” (2.2b). Os costumes eram praticados conforme o sistema mundano da época, tais como: a imoralidade, o furto e a mentira (4.22-32). Uma constatação de que o salvo não deve tomar a forma do mundo, relativizar o pecado e muito menos ajustar-se à maneira de viver de seu tempo (Rm 12.2).
2.2. “Andastes, […] segundo o príncipe da potestade do ar” (2.2c). Uma alusão a Satanás que exerce autoridade sobre os poderes do mal (Jo 12.31). Indica que os agentes malignos têm a capacidade de influenciar os homens desobedientes e incrédulos (2Co 4.4). Mais adiante na Carta, Paulo alerta que a nossa luta é contra tais seres do mal (6.12). Contudo, não é necessário temer, pois Deus exaltou Cristo acima de todos eles (1.21).
2.3. “Andávamos fazendo a vontade da carne e dos pensamentos” (2.3). Refere-se à inclinação para fazer o mal, algo inerente à natureza humana (Gn 6.5). Estão incluídos aqui os pensamentos pervertidos e a prática de todos os desejos desordenados da carne. Como resultado, éramos “filhos da ira”, isto é, condenados e desprovidos do favor divino. Paulo sublinha que essa era a nossa condição (4.18). Entretanto, aprouve ao Pai nos eleger e nos predestinar para “filhos de adoção” (1.5).

SUBSÍDIO DIDÁTICO—PEDAGÓGICO 
Ao expor este tópico, faça uma reflexão a respeito da necessidade do novo nascimento como substituição à velha natureza. Para isso, tome por base o seguinte fragmento textual: “O pecado não consiste apenas de ações isoladas, mas também é uma realidade, ou natureza, dentro da pessoa (ver Ef 2.3). O pecado, como natureza, indica a ‘sede’ ou a sua ‘localização’ no interior da pessoa, como a origem imediata dos pecados. Inversamente, é visto na necessidade do novo nascimento, de uma nova natureza a substituir a velha, pecaminosa (Jo 3.3-7; At 3.19; 1Pe 1.23). Esse fato é revelado na ideia de que regeneração só pode acontecer de fora para dentro da pessoa (Jr 24.7; Ez 11.19; 36.26,27; 37.1-14; 1Pe 1.3)” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. RJ: CPAD, 2018, p.286).

II. VIVIFICADOS PELA GRAÇA 
Por ato de bondade e misericórdia, estando nós ainda mortos em pecados, Deus imensamente nos amou e, por isso, nos vivificou por meio de sua graça.

1. Alcançados pela misericórdia e pelo amor divino. 
Após constatar a situação da humanidade “sob a ira de Deus” (2.3), Paulo passa a descrever os atos divinos de amor e de misericórdia que alteraram o quadro caótico da raça humana. Começando com uma conjunção adversativa, o apóstolo declara exultante: “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou” (2.4). O ato de misericórdia implica compaixão e simpatia para com os indignos (Rm 11.30-32). A Carta aos Efésios ensina que, ao prover à humanidade o meio de escape da merecida ira (cf. 1.7), Deus não se mostra apenas misericordioso, mas “abundante em misericórdia”. E essa riquíssima misericórdia procede do “seu muito amor com que nos amou”. A Bíblia enfatiza que foi a magnitude desse amor que motivou a nossa salvação (Jo 3.16; 1Jo 4.9).

2. Vivificados por sua graça. 
Descrevendo as dádivas divinamente concedidas aos salvos, o apóstolo enfatiza que o amor de Deus nos alcançou “estando nós ainda mortos em nossas ofensas” (2.5a). Isso significa que não éramos merecedores desse amor, mas que, mesmo assim, Deus “nos vivificou juntamente com Cristo” (2.5b). Essa frase quer dizer que nascemos de novo (Jo 3.3). Não estamos mais mortos, pois Cristo nos deu vida outra vez. Fomos vivificados sem mérito algum, tudo foi efetivado por meio da sua graça, o favor imerecido (2.8,9).

3. Exaltados por sua graça. 
O apóstolo dos gentios ainda destaca que o poder de Deus “nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo” (2.6). Observe que a palavra “juntamente” indica que Deus concede ao homem os mesmos benefícios alcançados por Cristo: a ressurreição, a vida eterna e o galardão nos céus (1Co 15.3-8,20-25). Assim, ao conceder tais bênçãos aos homens, Deus mostrou as “abundantes riquezas da sua graça” (2.7). Desse modo, ratificamos que a salvação e seus privilégios são conferidos pela imensurável graça de Deus, o favor divino imerecido.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Somos salvos pela graça mediante a fé (Ef 2.8). Crer no Filho de Deus leva à vida eterna (Jo 3.16). Sem fé, não poderemos agradar a Deus (Hb 11.6). A fé, portanto, é a atitude da nossa dependência confiante e obediente em Deus e na sua fidelidade. Essa fé caracteriza todo filho de Deus fiel. É o nosso sangue espiritual (Gl 2.20).
Pode-se argumentar que a fé salvífica é um dom de Deus, até mesmo dizer que a presença de anseios religiosos, inclusive entre os pagãos, nada tem a ver com a presença ou exercício da fé. A maioria dos evangélicos, no entanto, afirma semelhantes anseios, universalmente presentes, constituem-se evidências favoráveis à existência de um Deus, a quem se dirigem. Seriam tais anseios inválidos em si mesmos, à parte da atividade divina direta?” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. RJ: CPAD, 2018, p.370).

III. A SALVAÇÃO NÃO VEM DAS OBRAS 
Em Efésios 2.8-10, Paulo revela que a salvação não depende de obras humanas, “porque pela graça sois salvos, por meio da fé” (2.8a). Porém, uma vez salvo, o crente deve praticar as boas obras.

1. Graça como meio de salvação. 
A “salvação” inclui a libertação da morte, da escravidão do pecado e da ira vindoura; ao mesmo tempo permite ao salvo desfrutar de todas as bênçãos espirituais descritas em Efésios 2.1-7. Portanto, a salvação é o livramento do poder da maldição do pecado e da morte; e a restituição do homem à comunhão com Deus, uma bênção concedida a todos que recebem Cristo como Salvador (Hb 2.15; 2Co 5.19).
A palavra “ graça” é a tradução do grego charis , que significa “favor imerecido” (Rm 3.24). Ela mostra que a iniciativa para tornar possível a salvação veio da parte Deus. É por meio da graça que Deus ativa o livre-arbítrio e capacita o pecador para que responda com fé ao chamado do Evangelho (Rm 11.6). Todavia, ainda assim o ser humano é livre para escolher entre dois caminhos (salvação e perdição); sua liberdade não foi eliminada e a graça pode ser resistida (Jo 7.17).
A “fé” deve ser considerada como a aceitação da obra realizada por Cristo em nosso favor. Ela é a resposta à graça de Deus através da qual recebemos a salvação.

2. Obras como evidência de salvação. 
Aqui Paulo usa duas negações para endossar a origem da salvação: a primeira expressão “isso não vem de vós” (2.8b) trata da salvação pela graça que provém de Deus; a segunda ratifica que a salvação “não vem das obras”, o que indica não se tratar de recompensa de algum ato humano. Essas afirmações excluem a possibilidade de alguém ser salvo por esforço pessoal.
Como a salvação é uma realização divina, agora “somos feitura sua, criados em Cristo para as boas obras” (2.10). Uma transformação ocorreu: Agora em Cristo somos uma nova criatura e as coisas velhas passaram (2Co 5.17). Por isso, se antes o apóstolo usou a metáfora do andar numa perspectiva negativa — “outrora andávamos fazendo obras más” (2.2-3) — agora, por meio de uma perspectiva positiva, somos instados a “andar fazendo boas obras”, não como meio para ser salvo, mas como a evidência da salvação (2.10c).

SUBSÍDIO BÍBLICO—TEOLÓGICO
“Nenhuma medida de esforço próprio ou de devoção religiosa pode realizar o que está descrito acima. Pelo contrário, ‘pela graça sois salvos por meio da fé — e isso não vem de vós; é dom de Deus’ (2.8). A ação da graça de Deus está centrada em seu Filho - sua morte, ressurreição e entronização no céu como Senhor. Em relação à demonstração de sua graça, primeiramente vem o chamado ao arrependimento e à fé (At 2.38). Através dessa convocação, o Espírito Santo torna a pessoa capaz de responder à graça de Deus através da fé. Aqueles que por meio da fé respondem ao Senhor Jesus Cristo ‘são vivificados juntamente com Cristo’ (2.5). São regenerados ou nascidos de novo por obra do Espírito Santo (Jo 3.3-8). São ressuscitados e assentados com Cristo no reino celestial e continuam a receber a graça por sua união com Ele, que é a fonte do poder. Isso os torna capazes de resistir ao pecado e de viver de acordo com o Espírito Santo (Rm 8.13,14). Os crentes, então, passam a servir a Deus e praticar ‘boas obras’ (Ef 2.10; cf. 2Co 9.8) por causa da graça que opera em cada um (1Co 15.10)” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Volume 2. RJ: CPAD, 2017, p.413).

CONCLUSÃO 
Antes da regeneração éramos “filhos da ira” e condenados à perdição eterna. Por ato do amor divino, por meio de sua maravilhosa graça, nos tornamos “filhos por adoção”. Essa gloriosa salvação nos foi concedida independente de nossas obras. A partir da salvação passamos a praticar boas obras que glorificam a Deus nosso Pai (Mt 5.16). 

Fonte: 

sábado, 25 de abril de 2020

Lição 4 - A iluminação espiritual do crente


TEXTO ÁUREO 
Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação” (Ef 1.17).

VERDADE PRÁTICA
A vocação do crente inclui a herança de preciosas riquezas conferidas aos eleitos pela grandeza do poder de Deus.

Texto Base
Efésios 1.15-23.
15 — Pelo que, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus e o vosso amor para com todos os santos,
16 — não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações,
17 — para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação,
18 — tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos
19 — e qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder,
20 — que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e pondo-o à sua direita nos céus,
21 — acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro.
22 — E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja,
23 — que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.

OBJETIVOS
I. Destacar a vocação e as riquezas da glória inclusas na herança divina;
II. Salientar a grandiosidade do poder divino que opera em favor dos crentes;
III. Expressar o exemplo de exaltação em Cristo. 

INTRODUÇÃO
- Ainda no primeiro capítulo, o apóstolo Paulo inicia uma longa sentença assim dividida:
ação de graças (1.15,16),
oração intercessora (1.17-19) e
confissão de louvor e exaltação (1.20-23).

- Nessa sentença somos exortados a louvar ao Senhor pela nossa eleição, buscar a iluminação do Espírito para compreender a dimensão de nossa chamada e herança divina, bem como entender a grandeza do poder de nosso Deus.

I. A ESPERANÇA DA VOCAÇÃO E AS RIQUEZAS DA GLÓRIA
1. Ação de graças e intercessão. 
- O apóstolo se alegra em dar graças a Deus pela vida dos eleitos (Ef 1.16) e por todas as bênçãos espirituais recebidas (Ef 1.3-14), tais como:
- a eleição nEle (v.4),
- a predestinação nEle (v.5),
- Redenção pelo sangue (v.7)
 - a filiação (v.11)
- dom do Espírito Santo ou selado com o Espírito Santo (v.13).

- Ele intercede para que seja concedido aos seus leitores “o espírito de sabedoria e de revelação” (Ef 1.17; Jo 14.26).

- Paulo estava ciente de quão maravilhoso é o Evangelho, mas ao mesmo tempo, de quão impossível é alguém perceber a glória dessas boas novas sem ser ensinado por Deus (1Co 2.14,15; I Jo 2.27).

- Por isso, ele rogava para que os crentes recebessem a capacidade de compreenderem, por meio do Espírito Santo, a esperança da chamada, as riquezas da herança e a grandeza do poder de Deus (Ef 1.18,19). 

2. A esperança da vocação. 
- Em sua petição a Deus, Paulo intercede para que o Espírito Santo ilumine os crentes a fim de saberem “qual seja a esperança da sua vocação” (1.18). Assim, eles seriam capazes de experimentar e conhecer profunda e espiritualmente os privilégios de serem vocacionados.

- A ESPERANÇA se divide em três aspectos:
a) Deus chamou pessoas no passado (2Tm 1.9), ou seja, uma chamada em que Ele teve a iniciativa por meio da eleição em Cristo, da qual fazemos parte (1.3-14);
b) a chamada abrange serviço e santificação no presente (Fp 3.14), isto é, achar-se irrepreensível, viver em comunhão e andar de modo digno (1.4; 2.11-18; 4.1);
c) a participação gloriosa no futuro (5.27), que compreende a vida eterna e a esperança de conhecer Deus face a face (1Co 13.12).

3. As riquezas da glória da sua herança. 
- Na oração, o apóstolo pede para que os crentes entendessem “as riquezas da glória da sua herança” (1.18).

- A expressão “sua herança”. enfatiza o que Deus deu aos seus eleitos (Cl 1.12);
- O termo “riquezas”. refere-se às maravilhosas bênçãos que acompanham o plano da salvação, as quais iniciam quando nos convertemos a Cristo.
1. o perdão dos pecados;
2. a adoção de filhos e
3. as bênçãos que serão desfrutadas no porvir (Cl 1.27; 1Pe 1.4,5), quais sejam: vermos a Deus, a Cristo e O adorarmos (Ap 22.3,4).

II. A SOBRE-EXCELENTE GRANDEZA E FORÇA DO PODER DIVINO 
1. A sobre-excelente grandeza do seu poder. 
- O apóstolo orou para que os salvos pudessem entender a sobre-excelente grandeza do poder de Deus” (Ef 1.19).

- “sobre-excelente grandeza”. Paulo destaca o caráter EFICIENTE e INFINITO do poder de Deus como em 2 Co 4.7.

- O termo “poder”.  Indica feitos miraculosos que requerem força “fora de medida” (At 8.13).
- Logo, a repetição desses termos indica que apenas o maior de todos os poderes é capaz de realizar a transformação e a salvação do homem (2Pe 1.4); e que somente um poder tão grande assim pode operar e concretizar as bênçãos inclusas na “esperança da vocação” e nas “riquezas da herança” (1.18).

2. A força do poder divino. 
- Na sentença “segundo a operação da força do seu poder” (Ef 1.19), o apóstolo faz uso de três vocábulos gregos concordes entre si.
Primeiro, a palavra “operação”, que é a tradução de energeia , e também significa “eficácia”, sinalizando a ideia de “poder em atividade” (Cl 1.29).
Segundo, a expressão “força” vem do termo kratos , que traz a ideia de “intensidade”. E, finalmente, ischus , que indica o “poder inerente” de Deus (Jo 1.12; 2Pe 2.11).

- Paulo destaca que esse poder se manifestou em Cristo. 1. Ressuscitando-O dentre os mortos; 2. Fazendo-O assentar à direita de Deus nos céus (1.20); e 3. Sua elevação acima de todo o domínio (1.21,22).

“A NATUREZA DE DEUS
O Deus onipotente não pode ser plenamente compreendido pelo ser humano, mas nem por isso deixou de se revelar de diversas maneiras e em várias ocasiões a fim de que o venhamos a conhecer. Deus não pode ser compreendido pela mera lógica humana, e nem sequer sua própria existência pode ser comprovada desta maneira. Com isso, queremos dizer que não de forma alguma diminuindo os seus atributos, fazendo uma declaração confessional das nossas limitações e da infinitude divina. Nosso modo de entender a Deus pode ser classificado em duas pressuposições primárias: (1) Deus existe; e (2) Ele se revelou a nós de modo adequado através da sua revelação inspirada.
[…] Além disso, Deus está sustentando ativamente o mundo que criou. Na conservação, Ele sustenta a criação através de leis estabelecidas (At 17.25). Na providência, Ele controla todas as coisas existentes no Universo, com o propósito de levar a efeito seu plano sábio e amoroso, de forma que não venha a interferir na liberdade das suas criaturas (Gn 20.6; 50.20; Jó 1.12; Rm 1.24) (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. RJ: CPAD, 2018, pp.151,153). 

III. CRISTO: NOSSO EXEMPLO DE EXALTAÇÃO
1. Cristo: As primícias dos que dormem. 
- Paulo enfatiza que o poder de Deus se “manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos” (Ef 1.20), como em (At 2.24; 17.31).

- Isso quer dizer que:
1. Cristo foi feito as primícias dos que dormem (1Co 15.20-22);
2. A ressurreição de Jesus é a garantia de que seremos ressuscitados (1Ts 4.14);
3. O mesmo poder que ressuscitou a Cristo, é o mesmo que ressuscita o homem do seu estado de pecado (2.6).

- Desse modo, os crentes vencerão a morte e se erguerão gloriosamente de seus sepulcros para reinarem com Cristo eternamente (Jo 5.28,29; Fp 3.20,21).

2. Cristo elevado à direita de Deus. 
- Paulo reforça o poder de Deus quando da elevação de Cristo ao trono: “Pondo-o à sua direita nos céus” (1.20). Aqui está em foco à ascensão de Cristo em referência a promessa messiânica (Sl 110; At 1.6).

- O grau de exaltação para uma posição de honra e autoridade indica o completo triunfo de Cristo sobre o pecado e as forças do mal (Fp 2.9-11; Cl 2.15). Esse triunfo também está assegurado aos salvos (1Co 15.56,57) e endossa nossa participação na vida celestial, conforme indica a expressão “nos fez assentar nos lugares celestiais” (2.6).

- Assim, tanto a ressurreição como à ascensão de Cristo são obras do poder do Pai.

3. Cristo exaltado sobremaneira. 
- Nesse ponto, Paulo ensina que o poder de Deus exaltou Cristo “acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia” (1.21). Significa que Ele foi exaltado acima de toda eminência do bem e do mal e de todo título que se possa conferir nessa era e também no porvir. O resultado desse triunfo traz duplo benefício para a Igreja: primeiro, que Deus fez Cristo o cabeça da Igreja (1.22); e, segundo, que Deus designou a Igreja para ser a expressão plena de Cristo (1.23). Isso significa que nenhum poder pode prevalecer contra a Igreja do Senhor (Mt 16.18).

Paulo resume essa ideia em Filipenses 2.9-11 Pelo que, também, Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que, ao nome de Jesus, se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.

CONCLUSÃO
Embevecido com as bênçãos espirituais, Paulo mantém adoração contínua ao Eterno Deus, atitude que deve ser seguida por todos os salvos. A compreensão das dádivas da salvação demonstra o excelso valor daquilo que Deus fez por nós. Seus atos poderosos viabilizam a transformação e a glorificação dos que creem. Aleluia!


Bibliografia. 

ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Shedd: Antigo e Novo Testamento. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Vida Nova, 1997. 1953 p. ISBN 978-85-275-0255-9.

sábado, 18 de abril de 2020

Lição 3 - Eleição e Predestinação


TEXTO ÁUREO
Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.4,5).

VERDADE PRÁTICA 
Segundo a sua presciência, Deus elegeu e predestinou para a salvação os que

TEXTO BASE
Efésios 1.4-12. 
4 — como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor,
5 — e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,
6 — para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado.
7 — Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,
8 — que Ele tornou abundante para conosco em toda a sabedoria e prudência,
9 — descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,
10 — de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;
11 — nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade,
12 — com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo;

OBJETIVOS 
I. Esclarecer a diferença bíblica entre eleição e predestinação;
II. Explicar como ocorreu a eleição divina desde antes à fundação do mundo;
III. Constatar que a predestinação bíblica retrata as bênçãos concedidas aos eleitos.
  
INTRODUÇÃO 
- A eleição e a predestinação são termos importantes na compreensão da doutrina da salvação.

- Nesta lição abordaremos os conceitos bíblicos e a interpretação pentecostal referente a eleição e a predestinação.

I. ELEITOS PARA UMA VIDA SANTA E IRREPREENSÍVEL 
Aspectos da eleição em Cristo

1. A Eleição divina. 
- Eleição traz a ideia de escolha.
Aos Efésios (1.4), Paulo menciona três aspectos dessa escolha:
(1) Em Jesus, por isso ela é Cristocêntrica;
(2) O tempo é dito como “antes da fundação do mundo”;
(3) Para que fôssemos “santos e irrepreensíveis”.

- Deus elegeu a Igreja desde a eternidade, segundo a sua presciência (1Pe 1.2).

2. As condições da eleição. 
- A Palavra de Deus ensina que a eleição para a salvação em Cristo é OFERECIDA A TODOS, ou seja, a Expiação abrange a toda raça humana (Jo 3.16; 1Tm 2.4,6).

Mas, é eficiente, se torna realidade para quem responde pela FÉ  positivamente/obedece/arrepende (Ef 2.8; Hb 5.9).

- Pela graça de Deus (Tt 2.11)

3. Vida Santa e irrepreensível. 
- Paulo enfatiza que a eleição tem a finalidade específica de sermos “santos e irrepreensíveis diante dEle” (1.4).

Santos. “separado do pecado” (1Pe 1.15,16);
Irrepreensível. “sem defeito” ou “inculpável” (Fp 2.15).

- Ou seja, uma vida de santificação, sem a qual NINGUÉM verá o SENHOR (Hb 12.14)

4. A nova vida dos eleitos. 
- Significa. Despojar do velho homem e se revestir do NOVO HOMEM (Ef 4.22,24)

Contraste
- Paulo apresenta as práticas da VELHA VIDA: mentira, furto, palavras torpes, amargura, ira e cólera (Ef. 4.25,28,31); fornicação, impureza, avareza e embriaguez (Ef 5.3,15,18,19-21).

- NOVA VIDA, compreender a vontade do Senhor (v.17), encher-se do Espírito Santo (v.18), adorar a Deus com o coração verdadeiro (v.19), ser grato a Deus (v.20), sujeitando-vos uns aos outros (v.21).

- A NOVA VIDA anda na dependência do Espírito Santo, que capacita o crente para esse novo estilo de vida (Gl 5.16,17,22,23).

II. PREDESTINADOS PARA FILHOS DE ADOÇÃO 
A palavra “predestinar” mostra que o destino dos eleitos foi feito na eternidade.
1. A predestinação.