TEXTO ÁUREO
“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos
dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação” (Ef
1.17).
VERDADE PRÁTICA
A vocação do crente inclui a herança de preciosas riquezas conferidas
aos eleitos pela grandeza do poder de Deus.
Texto Base
Efésios 1.15-23.
15 — Pelo que,
ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus e o vosso amor para com
todos os santos,
16 — não cesso
de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações,
17 — para que o
Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento
o espírito de sabedoria e de revelação,
18 — tendo
iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a
esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos
santos
19 — e qual a
sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a
operação da força do seu poder,
20 — que
manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e pondo-o à sua direita nos
céus,
21 — acima de
todo principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se nomeia,
não só neste século, mas também no vindouro.
22 — E sujeitou
todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça
da igreja,
23 — que é o
seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.
OBJETIVOS
I. Destacar a vocação
e as riquezas da glória inclusas na herança divina;
II. Salientar a
grandiosidade do poder divino que opera em favor dos crentes;
III. Expressar o exemplo
de exaltação em Cristo.
INTRODUÇÃO
- Ainda no primeiro
capítulo, o apóstolo Paulo inicia uma longa sentença assim dividida:
ação de graças
(1.15,16),
oração intercessora
(1.17-19) e
confissão de louvor
e exaltação (1.20-23).
- Nessa sentença
somos exortados a louvar ao Senhor pela nossa eleição, buscar a iluminação do
Espírito para compreender a dimensão de nossa chamada e herança divina, bem
como entender a grandeza do poder de nosso Deus.
I. A ESPERANÇA DA
VOCAÇÃO E AS RIQUEZAS DA GLÓRIA
1. Ação de graças e
intercessão.
- O apóstolo se
alegra em dar graças a Deus pela vida dos eleitos (Ef 1.16) e por todas
as bênçãos espirituais recebidas (Ef 1.3-14), tais como:
- a eleição nEle (v.4),
- a predestinação nEle
(v.5),
- Redenção pelo
sangue (v.7)
- a filiação (v.11)
- dom do Espírito
Santo ou selado com o Espírito Santo (v.13).
- Ele intercede
para que seja concedido aos seus leitores “o espírito de sabedoria e de
revelação” (Ef 1.17; Jo 14.26).
- Paulo estava
ciente de quão maravilhoso é o Evangelho, mas ao mesmo tempo, de quão
impossível é alguém perceber a glória dessas boas novas sem ser ensinado
por Deus (1Co 2.14,15; I Jo 2.27).
- Por isso, ele
rogava para que os crentes recebessem a capacidade de compreenderem, por meio
do Espírito Santo, a esperança da chamada, as riquezas da herança e a grandeza
do poder de Deus (Ef 1.18,19).
2. A esperança da
vocação.
- Em sua petição a
Deus, Paulo intercede para que o Espírito Santo ilumine os
crentes a fim de saberem “qual seja a esperança da sua vocação” (1.18).
Assim, eles seriam capazes de experimentar e conhecer profunda e
espiritualmente os privilégios de serem vocacionados.
- A ESPERANÇA se
divide em três aspectos:
a) Deus chamou
pessoas no passado (2Tm 1.9), ou seja, uma chamada em que Ele teve a
iniciativa por meio da eleição em Cristo, da qual fazemos parte (1.3-14);
b) a chamada
abrange serviço e santificação no presente (Fp 3.14), isto é, achar-se
irrepreensível, viver em comunhão e andar de modo digno (1.4; 2.11-18; 4.1);
c) a participação
gloriosa no futuro (5.27), que compreende a vida eterna e a esperança
de conhecer Deus face a face (1Co 13.12).
3. As riquezas da
glória da sua herança.
- Na oração, o
apóstolo pede para que os crentes entendessem “as riquezas da glória da sua
herança” (1.18).
- A expressão “sua
herança”. enfatiza o que Deus deu aos seus eleitos (Cl 1.12);
- O termo “riquezas”.
refere-se às maravilhosas bênçãos que acompanham o plano da salvação, as
quais iniciam quando nos convertemos a Cristo.
1. o perdão dos
pecados;
2. a adoção de
filhos e
3. as bênçãos que
serão desfrutadas no porvir (Cl 1.27; 1Pe 1.4,5), quais sejam: vermos a
Deus, a Cristo e O adorarmos (Ap 22.3,4).
II. A
SOBRE-EXCELENTE GRANDEZA E FORÇA DO PODER DIVINO
1. A
sobre-excelente grandeza do seu poder.
- O apóstolo orou
para que os salvos pudessem entender a “sobre-excelente grandeza do
poder de Deus” (Ef 1.19).
- “sobre-excelente
grandeza”. Paulo destaca o caráter EFICIENTE e INFINITO do poder de Deus como em 2
Co 4.7.
- O termo “poder”.
Indica feitos miraculosos que requerem
força “fora de medida” (At 8.13).
- Logo, a repetição
desses termos indica que apenas o maior de todos os poderes é capaz de realizar
a transformação e a salvação do homem (2Pe 1.4); e que somente um poder tão
grande assim pode operar e concretizar as bênçãos inclusas na “esperança da
vocação” e nas “riquezas da herança” (1.18).
2. A força do poder
divino.
- Na sentença “segundo
a operação da força do seu poder” (Ef 1.19), o apóstolo faz uso de três
vocábulos gregos concordes entre si.
Primeiro, a palavra
“operação”, que é a tradução de energeia , e também
significa “eficácia”, sinalizando a ideia de “poder em atividade” (Cl
1.29).
Segundo, a
expressão “força” vem do termo kratos , que traz a
ideia de “intensidade”. E, finalmente, ischus , que indica o
“poder inerente” de Deus (Jo 1.12; 2Pe 2.11).
- Paulo destaca que
esse poder se manifestou em Cristo. 1. Ressuscitando-O dentre os mortos; 2.
Fazendo-O assentar à direita de Deus nos céus (1.20); e 3. Sua elevação acima
de todo o domínio (1.21,22).
“A NATUREZA DE DEUS
O Deus onipotente
não pode ser plenamente compreendido pelo ser humano, mas nem por isso deixou
de se revelar de diversas maneiras e em várias ocasiões a fim de que o venhamos
a conhecer. Deus não pode ser compreendido pela mera lógica humana, e nem sequer
sua própria existência pode ser comprovada desta maneira. Com isso, queremos
dizer que não de forma alguma diminuindo os seus atributos, fazendo uma
declaração confessional das nossas limitações e da infinitude divina. Nosso
modo de entender a Deus pode ser classificado em duas pressuposições primárias:
(1) Deus existe; e (2) Ele se revelou a nós de modo adequado através da sua
revelação inspirada.
[…] Além disso,
Deus está sustentando ativamente o mundo que criou. Na conservação, Ele
sustenta a criação através de leis estabelecidas (At 17.25). Na providência,
Ele controla todas as coisas existentes no Universo, com o propósito de levar a
efeito seu plano sábio e amoroso, de forma que não venha a interferir na
liberdade das suas criaturas (Gn 20.6; 50.20; Jó 1.12; Rm 1.24)” (HORTON, Stanley
(Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal.
RJ: CPAD, 2018, pp.151,153).
III. CRISTO: NOSSO
EXEMPLO DE EXALTAÇÃO
1. Cristo: As
primícias dos que dormem.
- Paulo enfatiza
que o poder de Deus se “manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos”
(Ef 1.20), como em (At 2.24; 17.31).
- Isso quer dizer
que:
1. Cristo foi feito
as primícias dos que dormem (1Co 15.20-22);
2. A ressurreição
de Jesus é a garantia de que seremos ressuscitados (1Ts 4.14);
3. O mesmo poder
que ressuscitou a Cristo, é o mesmo que ressuscita o homem do seu estado de
pecado (2.6).
- Desse modo, os
crentes vencerão a morte e se erguerão gloriosamente de seus sepulcros para
reinarem com Cristo eternamente (Jo 5.28,29; Fp 3.20,21).
2. Cristo elevado à
direita de Deus.
- Paulo reforça o
poder de Deus quando da elevação de Cristo ao trono: “Pondo-o à sua direita nos
céus” (1.20). Aqui está em foco à ascensão de Cristo em referência a promessa
messiânica (Sl 110; At 1.6).
- O grau de
exaltação para uma posição de honra e autoridade indica o completo triunfo de
Cristo sobre o pecado e as forças do mal (Fp 2.9-11; Cl 2.15). Esse triunfo
também está assegurado aos salvos (1Co 15.56,57) e endossa nossa participação na
vida celestial, conforme indica a expressão “nos fez assentar nos lugares
celestiais” (2.6).
- Assim, tanto a
ressurreição como à ascensão de Cristo são obras do poder do Pai.
3. Cristo exaltado
sobremaneira.
- Nesse ponto,
Paulo ensina que o poder de Deus exaltou Cristo “acima de todo o principado, e
poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia” (1.21).
Significa que Ele foi exaltado acima de toda eminência do bem e do mal e de
todo título que se possa conferir nessa era e também no porvir. O resultado
desse triunfo traz duplo benefício para a Igreja: primeiro, que Deus fez Cristo
o cabeça da Igreja (1.22); e, segundo, que Deus designou a Igreja para ser a
expressão plena de Cristo (1.23). Isso significa que nenhum poder pode
prevalecer contra a Igreja do Senhor (Mt 16.18).
Paulo resume essa ideia em Filipenses 2.9-11 “Pelo que, também, Deus o exaltou
soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que, ao nome de Jesus, se dobre todo o
joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
CONCLUSÃO
Embevecido com as
bênçãos espirituais, Paulo mantém adoração contínua ao Eterno Deus, atitude que
deve ser seguida por todos os salvos. A compreensão das dádivas da salvação
demonstra o excelso valor daquilo que Deus fez por nós. Seus atos poderosos
viabilizam a transformação e a glorificação dos que creem. Aleluia!
Bibliografia.
Bibliografia.
ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Shedd: Antigo e Novo Testamento. 2. ed. rev. e atual. São Paulo:
Vida Nova, 1997. 1953 p. ISBN 978-85-275-0255-9.




