sábado, 25 de abril de 2020

Lição 4 - A iluminação espiritual do crente


TEXTO ÁUREO 
Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação” (Ef 1.17).

VERDADE PRÁTICA
A vocação do crente inclui a herança de preciosas riquezas conferidas aos eleitos pela grandeza do poder de Deus.

Texto Base
Efésios 1.15-23.
15 — Pelo que, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus e o vosso amor para com todos os santos,
16 — não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações,
17 — para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação,
18 — tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos
19 — e qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder,
20 — que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e pondo-o à sua direita nos céus,
21 — acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro.
22 — E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja,
23 — que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.

OBJETIVOS
I. Destacar a vocação e as riquezas da glória inclusas na herança divina;
II. Salientar a grandiosidade do poder divino que opera em favor dos crentes;
III. Expressar o exemplo de exaltação em Cristo. 

INTRODUÇÃO
- Ainda no primeiro capítulo, o apóstolo Paulo inicia uma longa sentença assim dividida:
ação de graças (1.15,16),
oração intercessora (1.17-19) e
confissão de louvor e exaltação (1.20-23).

- Nessa sentença somos exortados a louvar ao Senhor pela nossa eleição, buscar a iluminação do Espírito para compreender a dimensão de nossa chamada e herança divina, bem como entender a grandeza do poder de nosso Deus.

I. A ESPERANÇA DA VOCAÇÃO E AS RIQUEZAS DA GLÓRIA
1. Ação de graças e intercessão. 
- O apóstolo se alegra em dar graças a Deus pela vida dos eleitos (Ef 1.16) e por todas as bênçãos espirituais recebidas (Ef 1.3-14), tais como:
- a eleição nEle (v.4),
- a predestinação nEle (v.5),
- Redenção pelo sangue (v.7)
 - a filiação (v.11)
- dom do Espírito Santo ou selado com o Espírito Santo (v.13).

- Ele intercede para que seja concedido aos seus leitores “o espírito de sabedoria e de revelação” (Ef 1.17; Jo 14.26).

- Paulo estava ciente de quão maravilhoso é o Evangelho, mas ao mesmo tempo, de quão impossível é alguém perceber a glória dessas boas novas sem ser ensinado por Deus (1Co 2.14,15; I Jo 2.27).

- Por isso, ele rogava para que os crentes recebessem a capacidade de compreenderem, por meio do Espírito Santo, a esperança da chamada, as riquezas da herança e a grandeza do poder de Deus (Ef 1.18,19). 

2. A esperança da vocação. 
- Em sua petição a Deus, Paulo intercede para que o Espírito Santo ilumine os crentes a fim de saberem “qual seja a esperança da sua vocação” (1.18). Assim, eles seriam capazes de experimentar e conhecer profunda e espiritualmente os privilégios de serem vocacionados.

- A ESPERANÇA se divide em três aspectos:
a) Deus chamou pessoas no passado (2Tm 1.9), ou seja, uma chamada em que Ele teve a iniciativa por meio da eleição em Cristo, da qual fazemos parte (1.3-14);
b) a chamada abrange serviço e santificação no presente (Fp 3.14), isto é, achar-se irrepreensível, viver em comunhão e andar de modo digno (1.4; 2.11-18; 4.1);
c) a participação gloriosa no futuro (5.27), que compreende a vida eterna e a esperança de conhecer Deus face a face (1Co 13.12).

3. As riquezas da glória da sua herança. 
- Na oração, o apóstolo pede para que os crentes entendessem “as riquezas da glória da sua herança” (1.18).

- A expressão “sua herança”. enfatiza o que Deus deu aos seus eleitos (Cl 1.12);
- O termo “riquezas”. refere-se às maravilhosas bênçãos que acompanham o plano da salvação, as quais iniciam quando nos convertemos a Cristo.
1. o perdão dos pecados;
2. a adoção de filhos e
3. as bênçãos que serão desfrutadas no porvir (Cl 1.27; 1Pe 1.4,5), quais sejam: vermos a Deus, a Cristo e O adorarmos (Ap 22.3,4).

II. A SOBRE-EXCELENTE GRANDEZA E FORÇA DO PODER DIVINO 
1. A sobre-excelente grandeza do seu poder. 
- O apóstolo orou para que os salvos pudessem entender a sobre-excelente grandeza do poder de Deus” (Ef 1.19).

- “sobre-excelente grandeza”. Paulo destaca o caráter EFICIENTE e INFINITO do poder de Deus como em 2 Co 4.7.

- O termo “poder”.  Indica feitos miraculosos que requerem força “fora de medida” (At 8.13).
- Logo, a repetição desses termos indica que apenas o maior de todos os poderes é capaz de realizar a transformação e a salvação do homem (2Pe 1.4); e que somente um poder tão grande assim pode operar e concretizar as bênçãos inclusas na “esperança da vocação” e nas “riquezas da herança” (1.18).

2. A força do poder divino. 
- Na sentença “segundo a operação da força do seu poder” (Ef 1.19), o apóstolo faz uso de três vocábulos gregos concordes entre si.
Primeiro, a palavra “operação”, que é a tradução de energeia , e também significa “eficácia”, sinalizando a ideia de “poder em atividade” (Cl 1.29).
Segundo, a expressão “força” vem do termo kratos , que traz a ideia de “intensidade”. E, finalmente, ischus , que indica o “poder inerente” de Deus (Jo 1.12; 2Pe 2.11).

- Paulo destaca que esse poder se manifestou em Cristo. 1. Ressuscitando-O dentre os mortos; 2. Fazendo-O assentar à direita de Deus nos céus (1.20); e 3. Sua elevação acima de todo o domínio (1.21,22).

“A NATUREZA DE DEUS
O Deus onipotente não pode ser plenamente compreendido pelo ser humano, mas nem por isso deixou de se revelar de diversas maneiras e em várias ocasiões a fim de que o venhamos a conhecer. Deus não pode ser compreendido pela mera lógica humana, e nem sequer sua própria existência pode ser comprovada desta maneira. Com isso, queremos dizer que não de forma alguma diminuindo os seus atributos, fazendo uma declaração confessional das nossas limitações e da infinitude divina. Nosso modo de entender a Deus pode ser classificado em duas pressuposições primárias: (1) Deus existe; e (2) Ele se revelou a nós de modo adequado através da sua revelação inspirada.
[…] Além disso, Deus está sustentando ativamente o mundo que criou. Na conservação, Ele sustenta a criação através de leis estabelecidas (At 17.25). Na providência, Ele controla todas as coisas existentes no Universo, com o propósito de levar a efeito seu plano sábio e amoroso, de forma que não venha a interferir na liberdade das suas criaturas (Gn 20.6; 50.20; Jó 1.12; Rm 1.24) (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. RJ: CPAD, 2018, pp.151,153). 

III. CRISTO: NOSSO EXEMPLO DE EXALTAÇÃO
1. Cristo: As primícias dos que dormem. 
- Paulo enfatiza que o poder de Deus se “manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos” (Ef 1.20), como em (At 2.24; 17.31).

- Isso quer dizer que:
1. Cristo foi feito as primícias dos que dormem (1Co 15.20-22);
2. A ressurreição de Jesus é a garantia de que seremos ressuscitados (1Ts 4.14);
3. O mesmo poder que ressuscitou a Cristo, é o mesmo que ressuscita o homem do seu estado de pecado (2.6).

- Desse modo, os crentes vencerão a morte e se erguerão gloriosamente de seus sepulcros para reinarem com Cristo eternamente (Jo 5.28,29; Fp 3.20,21).

2. Cristo elevado à direita de Deus. 
- Paulo reforça o poder de Deus quando da elevação de Cristo ao trono: “Pondo-o à sua direita nos céus” (1.20). Aqui está em foco à ascensão de Cristo em referência a promessa messiânica (Sl 110; At 1.6).

- O grau de exaltação para uma posição de honra e autoridade indica o completo triunfo de Cristo sobre o pecado e as forças do mal (Fp 2.9-11; Cl 2.15). Esse triunfo também está assegurado aos salvos (1Co 15.56,57) e endossa nossa participação na vida celestial, conforme indica a expressão “nos fez assentar nos lugares celestiais” (2.6).

- Assim, tanto a ressurreição como à ascensão de Cristo são obras do poder do Pai.

3. Cristo exaltado sobremaneira. 
- Nesse ponto, Paulo ensina que o poder de Deus exaltou Cristo “acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia” (1.21). Significa que Ele foi exaltado acima de toda eminência do bem e do mal e de todo título que se possa conferir nessa era e também no porvir. O resultado desse triunfo traz duplo benefício para a Igreja: primeiro, que Deus fez Cristo o cabeça da Igreja (1.22); e, segundo, que Deus designou a Igreja para ser a expressão plena de Cristo (1.23). Isso significa que nenhum poder pode prevalecer contra a Igreja do Senhor (Mt 16.18).

Paulo resume essa ideia em Filipenses 2.9-11 Pelo que, também, Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que, ao nome de Jesus, se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.

CONCLUSÃO
Embevecido com as bênçãos espirituais, Paulo mantém adoração contínua ao Eterno Deus, atitude que deve ser seguida por todos os salvos. A compreensão das dádivas da salvação demonstra o excelso valor daquilo que Deus fez por nós. Seus atos poderosos viabilizam a transformação e a glorificação dos que creem. Aleluia!


Bibliografia. 

ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia Shedd: Antigo e Novo Testamento. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Vida Nova, 1997. 1953 p. ISBN 978-85-275-0255-9.