domingo, 12 de abril de 2020

Lição 2 - A Sublimidade das Bênçãos Espirituais em Cristo

TEXTO ÁUREO

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1.3).

VERDADE PRÁTICA

Deus nos elegeu em Cristo antes da fundação do mundo para que desfrutássemos das bênçãos espirituais.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Efésios 1.3,4,9-14.

3 — Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo,
4 — Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor,
9 — Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,
10 — de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.
11 — Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade,
12 — Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo;
13 — Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;
14 — O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória.


OBJETIVO GERAL

Esclarecer as bênçãos espirituais concedidas por Cristo Jesus.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS 

I. Refletir a respeito da nossa nova posição em Cristo;
II. Evidenciar a realidade de uma vida cristocêntrica neste mundo;
III. Explicitar que o Espírito Santo desempenha importante papel no plano da salvação.


 INTRODUÇÃO 
Nesta lição vamos abordar a grandeza, a excelência e a perfeição do projeto divino para conceder bênçãos espirituais aos seus escolhidos. Desde a eternidade, aprouve a Deus executar um plano de restauração e reconciliação com a humanidade caída. Por isso que, na Carta, o apóstolo Paulo se mostra profundamente agradecido pela revelação do mistério que estivera oculto desde todos os tempos. Ele nos convida a louvar e a glorificar a Deus pela sua bondade e misericórdia para com todos os pecadores.


I. A NOVA POSIÇÃO EM CRISTO

No passado estávamos perdidos e condenados à morte eterna, mas por sua infinita graça, Deus nos outorgou em Cristo o privilégio da salvação.

1. A Doxologia. 
Doxologia. gr. doxa , glória + logia , palavra] Manifestação de louvor e enaltecimento a Deus através de expressões de exaltamentos (Deus seja louvado! Aleluia!) e hinos. A doxologia não pode vir desassociada da verdadeira adoração. Ela exige adoração” (Dicionário de Teologia, CPAD, p.152).

Após expor os versículos de abertura da Epístola (1.1,2), o apóstolo Paulo apresenta uma sequência de texto que se caracteriza pela verdadeira adoração e bondade ativa de Deus (1.3-14). Ele começa pela frase “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (v.3), onde “bendito” significa “digno de louvor”. O apóstolo dá sequência até o versículo 14 por meio de um maravilhoso tributo ao Eterno e suas muitas bênçãos concedidas aos homens. Nesse trecho bíblico trata-se de um hino teológico de gratidão, caracterizado pela repetição do seguinte refrão: “Para louvor e glória da sua graça” (v.6) ou “para louvor da sua glória” (vv.12,14). Aquele ao qual devemos adorar está identificado na expressão “Deus e Pai de Jesus Cristo”, uma clara referência à Santíssima Trindade com ênfase na natureza divina de Jesus, seu Filho.

2. As bênçãos espirituais. 
Obviamente que as bênçãos espirituais não são materiais, mas provenientes dos “lugares celestiais”, isto é, do reino espiritual. Essas bênçãos são mencionadas na longa passagem de Efésios (1.3-14), tais como: Deus nos elegeu para sermos santos (1.4); predestinou-nos para sermos filhos (1.5); nos fez agradáveis para si (1.6); remiu-nos por meio do sangue de Cristo (1.7); acolheu-nos por sua vontade redentora (1.8-12); revelou-nos a Palavra da verdade (1.13a); selou-nos com o Espírito Santo da promessa (1.13b); ainda garantiu a validade da promessa (1.14). Tais bênçãos provêm de Deus, que planejou a redenção; do Filho, que a realizou; e do Espírito Santo, que a garante. Essas bênçãos nos conduzem a exclamar como Paulo: “Bendito Seja Deus!”.

3. A nova condição. 
A expressão “em Cristo” significa que somos abençoados com toda bênção espiritual, a partir de Sua pessoa e obra realizada no calvário (Jo 1.3; Hb 5.9; 9.12); relaciona-se ainda com a nossa experiência de conversão a Ele (2Co 5.17). Essa nova vida é conferida somente para quem está “em Cristo”, isto é, o oposto da antiga vida “em Adão” escravizada pelo pecado (Rm 5.11-15). Desse modo, não andamos mais em trevas, mas como filhos da luz (Rm 5.8). Portanto, nossa nova posição é caracterizada pela salvação “em Cristo” e, por isso, desfrutamos de todos os benefícios advindos dessa redenção.


SUBSÍDIO DIDÁTICO—PEDAGÓGICO
O primeiro tópico tem por objetivo refletir a respeito da nova posição em Cristo que o crente agora desfruta diante de Deus. Assim, você pode abrir esta lição indagando aos alunos a respeito do que eles entendem por “nova posição em Cristo”. É importante que você estabeleça o mínimo de tempo para ouvir as respostas e considerações deles. Aqui, a fim de adentrar na explicação do tópico, há a oportunidade de você fazer uma recapitulação do conceito e consequências do Pecado na vida do Homem e da provisão de Deus para a salvação do ser humano como introdução ao fato de que, hoje, o crente tem uma nova posição diante de Deus. Assim, você pode expor com clareza o conteúdo do primeiro tópico.

 II. UMA VIDA CRISTOCÊNTRICA NESTE MUNDO

Embora o pecado tenha adentrado ao mundo, Deus projetou a primazia de Cristo na remissão dos pecadores e na restauração de todas as coisas para o louvor de Sua glória.

1. A revelação do mistério. 
A frase “descobrindo-nos o mistério da sua vontade” (1.9) sinaliza a revelação da verdade que estava oculta aos santos de Deus (Cl 1.26). Essa verdade diz respeito aos decretos eternos que Deus planejara, por sua soberana vontade, com o propósito de salvar os pecadores (Jo 3.16). Essa vontade divina é revelada segundo o seu beneplácito, isto é, de acordo com o que Lhe agrada fazer por amor e misericórdia (Rm 9.15,16; 11.32). Sua vontade foi executada conforme o seu desígnio por intermédio de Cristo para que o Filho em tudo tivesse a preeminência (Cl 1.16-20).

2. A plenitude dos tempos. 
Paulo revela que o plano divino é fazer convergir em Cristo todas as coisas (1.10). Isso inclui tudo o que foi criado por Cristo, para Cristo e o que subsiste em Cristo (Jo 1.1-3; Hb 1.2,3). Implica dizer que todo o universo, céus e terra estarão submissos a autoridade e soberania de Cristo (Rm 14.11; 2Co 10.5). Nesse sentido, a ruptura provocada pelo pecado de Adão é restaurada completamente em Cristo. Essa declaração não tem conotação universalista, a ideia de que no fim todos serão salvos, mas que finalmente tudo será como Deus planejou: Cristo a cabeça da Igreja e também a cabeça do Universo (1.21-23). A dispensação ou a administração desse plano será na plenitude dos tempos (1.10). Aqui, a palavra grega para “tempos” não é chronos , que traz uma ideia de cronologia, mas kairos , que se refere ao tempo divino previamente determinado para que todas as coisas estejam sob o domínio de Cristo (At 1.7).

3. Louvor da sua glória. 
O apóstolo enfatiza que as bênçãos são destinadas aos crentes judeus e gentios — a Igreja. Paulo muda do pronome “nós” (ele e os judeus) para o “também vós” (os gentios), indicando que em Cristo os crentes de ambos os povos são herdeiros da promessa (1.11-13). Ele ratifica igualmente que o propósito da eleição não é outro senão louvar e glorificar a Deus (1.12,14). Isso assinala não somente adorá-Lo com palavras e ações, mas também levar outros a fazer o mesmo (1Pe 2.12). Por conseguinte, tudo o que somos, fazemos ou possuímos vem de Deus, pois começa na Sua vontade e culmina na Sua glória (At 17.28).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
 “Devemos reconhecer, já de início, ser o conhecimento a respeito de Jesus Cristo igual e ao mesmo tempo diferente ao de outros assuntos. Como líder espiritual do Cristianismo, Jesus é o objeto do conhecimento e também da fé. Ele produz ainda, dentro de nós e mediante o Espírito Santo, conhecimentos espirituais. Os cristãos acreditam universalmente que Jesus continua vivo hoje, séculos depois da sua vida e morte na Terra, e que Ele está na presença de Deus Pai, no Céu. Mas esta convicção certamente provém da fé salvífica, mediante a qual a pessoa encontra Jesus Cristo e é regenerada, por meio do arrependimento e da fé, tornando-se assim nova criatura. O conhecimento de Jesus como Salvador leva, através da experiência, ao reconhecimento imediato da existência pessoal de Jesus no presente. Dessa maneira, o conhecimento de Jesus é diferente do conhecimento do de outras figuras históricas” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. RJ: CPAD, p.302).


III. O ESPÍRITO SANTO, PENHOR DA NOSSA HERANÇA

O Espírito Santo desempenha importante papel no plano de salvação idealizado por Deus Pai.

1. O selo do Espírito Santo.
Aquele que ouve a Palavra de Deus — o Evangelho da Salvação — e que por meio da fé, se rende a Cristo, recebe o selo do Espírito Santo no momento da conversão (Tt 3.5-7). Nos tempos bíblicos, o selo era usado como sinal de propriedade e posse pessoal. Ao conceder o Espírito Santo ao crente, Deus identifica os que pertencem a Cristo, pois o Espírito testifica daqueles que são filhos de Deus (Rm 8.9,15,16) e o Maligno não lhes toca (1Jo 5.18). Assim, a terceira pessoa da Santíssima Trindade tem o papel fundamental de regenerar, purificar e santificar o pecador (1Co 6.11). Ele é quem convence o ser humano do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.7,8); e que também produz no crente o verdadeiro relacionamento com Deus por meio do fruto do Espírito (Gl 5.22,23).

2. O penhor da nossa herança. 
O termo grego arrabon pode ser traduzido como “depósito”, “penhor”, “garantia” ou ainda “primeira parcela” (1.14). A palavra tem origem semítica e era usada nas transações comerciais para assegurar o preço ou garantir o pagamento de algo. Paulo ensina que o Espírito Santo é o depósito que garante a nossa herança em Cristo (2Co 1.21,22). Tudo isso significa que aquele que tem o selo do Espírito Santo tem a salvação garantida (1.14). Isso não quer dizer que o crente está salvo para sempre, independente de sua conduta, mas que a redenção está validada aos eleitos em Cristo que permanecem fiéis (Mt 24.13).


SUBSÍDIO BÍBLICO—TEOLÓGICO
“O Espírito Santo como o Selo de nossa Fé em Cristo (1.13). Essa é a primeira referência que aparece em Efésios a respeito do papel do Espírito Santo na redenção. Daí em diante, Paulo raramente deixa de mencionar os aspectos de sua atuação na vida cristã. O crente é marcado, ou selado, em Cristo com o selo do Espírito Santo da promessa. Aqui encontramos duas questões: ‘selo’ e o Espírito Santo da ‘promessa’:
1) Na antiguidade, o selo era um sinal de propriedade ou de posse pessoal. Concedendo o Espírito Santo como um selo, Deus nos marca em Cristo, como aqueles que autenticamente lhe pertencem (cf. 2Co 1.2) […].
2) A designação ‘prometido’, referindo-se ao dom do Espírito, como aparece em Atos 2, está relacionada principalmente à promessa de Joel 2.28,29, tal como foi interpretada e aplicada por Pedro no livro de Atos, e no restante do Novo Testamento. Quando Paulo empregou essa expressão em Efésios, quis dizer que o Espírito Santo virá para transmitir ‘sabedoria e revelação’, a fim de podermos conhecer melhor a Deus e sermos informados a respeito das implicações de nossa vida ‘em Cristo’ (1.17-20) […]” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Volume 2. RJ: CPAD, 2017, p.402).


CONCLUSÃO
Nessa porção da Epístola aos Efésios o plano divino revelado resulta na reconciliação do ser humano com Deus por meio de Cristo e na restauração de todas as coisas visíveis e invisíveis. Ambos os propósitos devem redundar em louvor e glória ao Deus Eterno. Na plenitude dos tempos todo o desígnio divino estará plenamente executado.


SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

A SUBLIMIDADE DAS BENÇÃOS ESPIRITUAIS EM CRISTO

Nesta lição, trataremos acerca das bênçãos espirituais concedidas aos eleitos em Cristo. Essas bênçãos representam a grandeza, a excelência e a perfeição do plano divino de salvação. por isso, reflita a respeito da nossa nova posição em Cristo, evidencie a realidade de uma vida cristocêntrica neste mundo e explicite o papel importante do Espírito Santo no plano de salvação. É uma lição preciosa para a edificação espiritual dos alunos.

Resumo da lição
Com o propósito delineado acima mencionado, o primeiro tópico faz uma reflexão acerca das bênçãos espirituais que os salvos receberam da parte de Deus. O tópico menciona que essas bênçãos possibilitam uma nova vida em Cristo e por causa delas devemos cultivar um coração grato a Deus. Isso é decorrente da nova posição em Cristo em que os salvos estão. Esse tema pode e deve ser bem explorado por você neste tópico.
Uma vez desfrutando de uma nova posição em Cristo, o segundo tópico aponta para uma vida cristocêntrica no mundo, onde há uma consciência de que o plano de Deus elaborado desde a fundação do mundo, e executado por Cristo Jesus, leva em conta a salvação dos pecadores e a restauração de todas as coisas. Neste planejamento salvífico, o Espírito Santo tem um papel preponderante, por isso o terceiro tópico explicita como o Espírito Santo faz morada na vida do salvo, o identifica como propriedade de Cristo e garante-lhe a vida eterna.

Uma sugestão
A lição diz respeito a assuntos como “plano de salvação”, “nova vida em Cristo”, “bênçãos espirituais” e “O Espírito Santo como agente sustentador de tudo isso”. É muito importante que você destaque o papel do Espírito Santo no plano divino de salvação. Para isso, o subsídio bíblico-teológico do terceiro tópico da lição lhe ajudará. Ali, o texto mostra o Espírito Santo como o “selo” da nossa fé em Cristo.
Aqui é bom também fazer uma distinção entre “selo do Espírito Santo” e “batismo no Espírito Santo”. Algumas pessoas tendem a confundir essas expressões. Como fica claro no texto, o selo do Espírito confirma o papel do Espírito Santo na redenção do pecador. Essa analogia que o apóstolo Paulo faz é uma assertividade grandiosa, pois revela que, pelo Espírito do Senhor, somos propriedade exclusiva de Deus (1Pe 2.9).

Fonte: